São seis da manhã. Estou bebeda. Fui sair com duas amigas. Vesti o meu vestido preto, o mais sexu que tenho, maquilhei-me e disse a mim mesma que hoje restauraria o meu ego.
Morri.
Cruzei olhares com um rapaz varias vezes e ele veio ter comigo. Perguntou-me o nome e o curso. Respondi-lhe. Começou uma musica fantástica da qual não me lembro o nome e eu institivamente comecei a dançar. Virei-lhe costas para que ele dançasse comigo e quando voltei à realidade ele já não existia. Falava com outra. Eu... Passado anos, passadas mil e uma lembranças voltei a interessar-me por rapazes. Emagreci, tornei-me parecida a tantas outras e o que recebo em troca é invisibilidade, pura e dura. Ele já falava com outra. tocava-lhe no braço. Cruzei o meu olhar com o dele e mostrei-lhe o meu descontentamento. Ele encolheu os ombros como se algo trivial fosse. Sim era trivial mas não se faz. E eu morri. O álcool apoderou.se de de mim. As memórias, lembranças e cicatrizes apoderaram-se de mim. Passei a ser invisivel. O rapaz que eu quero não apareceu e todos os outros nem me olharam. Talvez eu seja realmente invisivel. Talvez eu seja horrivel e o meu cérebro não me mostre isso ao espelho. Talvez eu tenha algum problema cerebral, psiquico.
Cheguei a casa e liguei às amigas com quem saí. A chorar baba e ranho. Uma delas atendeu-me, podre de bebeda. "Vomitei a cama toda. Estás a chorar?" E eu respondi que não banhada em lágrimas. Passava na rádio uma das músicas que mais tem efeito em mim. "How to save a life" - The Fray. E eu respondi que não, que estava bem e que tinha chegado a casa. Sorri a chorar. Ela não percebeu. Nunca ninguém percebe. Deitei-me na cama e liguei o portátil. Youtube, o meu melhor amigo. "Say something" é a banda sonora. Apetece-me desaparecer. Uma luta tão grande para me tornar igual às outras, para me incluir e o que recebo é invisibilidade. É justo?
Estou podre. Nem sei como consigo escrever. Os meus gatos rodeiam-me com o seu amor e carinho mas não é suficiente. Vi raparigas piores que eu lá, rodeadas de rapazes e eu... Eu sozinha. "Nem um" foi a frase da minha noite...
Liguei ao meu melhor amigo e ele não me atendeu. Quem me entenderá?! A quem posso recorrer?! A ninguém. Recorro a mim mesma mais uma vez. Dói. Esta solidão dói. Ter amigos mas não poder falar com eles sobre o que me corrói dói. Mata-me e destrói-me. Lentamente.
Continuo bebeda. Sei que amanha tudo terá passado mas ficará eternamente o pensamento...
Invisibilidade, é o que me define neste momento.
quinta-feira, 13 de março de 2014
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