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quinta-feira, 13 de março de 2014

São seis da manhã. Estou bebeda. Fui sair com duas amigas. Vesti o meu vestido preto, o mais sexu que tenho, maquilhei-me e disse a mim mesma que hoje restauraria o meu ego.
Morri.
Cruzei olhares com um rapaz varias vezes e ele veio ter comigo. Perguntou-me o nome e o curso. Respondi-lhe. Começou uma musica fantástica da qual não me lembro o nome e eu institivamente comecei a dançar. Virei-lhe costas para que ele dançasse comigo e quando voltei à realidade ele já não existia. Falava com outra. Eu... Passado anos, passadas mil e uma lembranças voltei a interessar-me por rapazes. Emagreci, tornei-me parecida a tantas outras e o que recebo em troca é invisibilidade, pura e dura. Ele já falava com outra. tocava-lhe no braço. Cruzei o meu olhar com o dele e mostrei-lhe o meu descontentamento. Ele encolheu os ombros como se algo trivial fosse. Sim era trivial mas não se faz. E eu morri. O álcool apoderou.se de de mim. As memórias, lembranças e cicatrizes apoderaram-se de mim. Passei a ser invisivel. O rapaz que eu quero não apareceu e todos os outros nem me olharam. Talvez eu seja realmente invisivel. Talvez eu seja horrivel e o meu cérebro não me mostre isso ao espelho. Talvez eu tenha algum problema cerebral, psiquico.
Cheguei a casa e liguei às amigas com quem saí. A chorar baba e ranho. Uma delas atendeu-me, podre de bebeda. "Vomitei a cama toda. Estás a chorar?" E eu respondi que não banhada em lágrimas. Passava na rádio uma das músicas que mais tem efeito em mim. "How to save a life" - The Fray. E eu respondi que não, que estava bem e que tinha chegado a casa. Sorri a chorar. Ela não percebeu. Nunca ninguém percebe. Deitei-me na cama e liguei o portátil. Youtube, o meu melhor amigo. "Say something" é a banda sonora. Apetece-me desaparecer. Uma luta tão grande para me tornar igual às outras, para me incluir e o que recebo é invisibilidade. É justo?
Estou podre. Nem sei como consigo escrever. Os meus gatos rodeiam-me com o seu amor e carinho mas não é suficiente. Vi raparigas piores que eu lá, rodeadas de rapazes e eu... Eu sozinha. "Nem um" foi a frase da minha noite...
Liguei ao meu melhor amigo e ele não  me atendeu. Quem me entenderá?! A quem posso recorrer?! A ninguém. Recorro a mim mesma mais uma vez. Dói. Esta solidão dói. Ter amigos mas não poder falar com eles sobre o que me corrói dói. Mata-me e destrói-me. Lentamente.
Continuo bebeda. Sei que amanha tudo terá passado mas ficará eternamente o pensamento...
 Invisibilidade, é o que me define neste momento.

domingo, 30 de junho de 2013

   Tenho na cama a mulher que amo praticamente desde o dia em que a conheci, embora sem o saber. Passaram-se 3 anos desde esse dia. 3 anos de altos e baixos, em que deixámos de falar durante meses e, do nada, recomeçámos como se, esse mesmo nada, nunca tivesse existido. 
Fui traída, ela mentiu-me, usou-me. Fui o seu brinquedo de estimação e estava lá sempre que ela precisava, sempre. Voltei à prateleira quando ela se cansou da minha presença, do meu carinho, apoio, compreensão e tudo o mais que lhe dava...
No dia em que ela acabou comigo e eu pensei ser para sempre, morri. O meu coração e a minha alma morreram. Restou o meu corpo. Algo, contudo, desprovido de vida, de sentimentos, de sentido de humor, de um sorriso, de cor, de tudo. Ficou o vazio, outrora preenchido total e completamente por ela, pelo pouco dela. Ficou um vazio tão grande que tudo não passava de um buraco negro dentro de mim. Não suportava a felicidade dos outros, ou a alegria ou o barulho de uma gargalhada. Tudo tinha que de ser escuro e silencioso, morto, como eu.
Mas ela voltou... passado vários meses mas voltou. E eu, que pensei que a tinha conseguido, em parte, ultrapassar, apercebi-me que isso não passava de uma mentira. Apercebi-me que a amava do mesmo jeito, pelas mesmas razões e via nela o que sempre vi... o seu sorriso, o olhar, a personalidade, o corpo que me matava de desejo...
   Desejo. Aparentemente era a única coisa que nos unia, sei-o agora. Passados esses mesmos 3 anos. Tenho na cama a mulher que amo e quando a fui buscar ela tinha a aliança da ex-namorada, aquela que, supostamente, não valia nada. Ela diz que é por causa da irmã e eu, simplesmente não acredito... Não acredito em nada. Afinal de contas eu sempre fui a única que sempre estive lá, sempre... e a única que nunca foi ninguém para ela, nada, nunca. Como posso acreditar? Ela tirou-a, guardou-a. Mas, e depois? Ela continua com ela... talvez no bolso das calças, mas continua. Durante 3 anos fomos uma chama que se incendeia a si própria. Não era preciso nada, nem um fósforo ou um rastilho, bastava o nosso olhar... Hoje, passados 3 anos, deitámo-nos na mesma cama e não fomos capaz de nos beijar, sequer. Nada... uma carícia no cabelo e mais nada...
Aparentemente perdi a única coisa que nos ligava, o sexo... E não sei o que vai ser de mim outra vez... Olho para a cicatriz que tenho no braço. Fi-la quando ela me matou. E agora? Agora que farei eu? Não quero perder o futuro que tanto me custou a construir mas quem sou eu sem ela? Sem o pouco dela?! Sem as conversas e as discussões, os risos, as parvoíces, as brincadeiras, a companhia e o apoio. Quem sou eu? Vou voltar a ser aquele buraco negro? Aquele ser sem vida, sem coração, sem nada? Sim, na melhor das hipóteses volto a ser aquele nada... Até que alguém volte a pegar em mim e me reconstrua, do pouco que ficou. Pegue nos pedaços, nos estilhaços e no sangue derramado e o volte a colocar dentro do meu corpo morto... Mas e desta vez? Se a única coisa que me ligava a ela se extinguiu, como vai ser o depois?
Foi a pessoa que jurei para sempre. Jurei amá-la para sempre no dia em que, pela primeira vez desde a minha existência, disse que a amava... Gravei-o. E não sei ser nada sem ela ou sem esse sentimento..
Ela adormeceu ou fingiu adormecer... Dorme ou finge dormir enquanto eu me consumo nestas chamas degradantes do meu próprio ser à espera da resposta que pode mudar-me para sempre...
O que farei eu ao obtê-la?
3 anos... que aparentemente para ela não significaram nada... 
Ela dorme... pensei que daria pela minha falta na cama e me viesse procurar à cozinha, banhada em lágrimas como se o meu mundo já se tivesse desmoronado... Talvez dentro de mim mesma eu saiba que ele já ruiu  e que restam apenas estilhaços do que fui, do que era e do que nunca mais voltarei a ser.

domingo, 1 de julho de 2012

Novo dia

11.2.2012                                                                                                                                      

30.6.2012

Ontem, dia 30 de Junho.. Estive pela primeira vez com uma rapariga desde que o meu mundo desabou. Desde que a pessoa que mais amei no mundo decidiu partir e deixar-me para trás.

Os dias, as semanas, os meses foram passando. Hoje estou habituada à tua ausência, conformei-me com a falta que me fazes, com o facto de me teres deixado. 

Inicialmente senti que te iria trair. Trair o sentimento que nutro por ti. Jurei nunca mais amar ninguém.
Senti medo. Medo de me dar a alguém que não tu. Medo de beijar uns lábios que não os teus. Sentir o cheiro que não era o do teu perfume. Medo de entrelaçar nos meus dedos um cabelo que não seriam os teus caracóis ruivos. Medo de gostar de um sorriso que não era o teu.

Arrisquei.

Não vou fechar a minha vida a toda a gente só porque alguém não deu valor ao amor que sentia. Aos sacrifícios que estava disposta a fazer por ti.

Fui em frente.

Muitas foram as horas de conversas no skype. Sitio onde outrora tínhamos nós as nossas conversas. Onde ficaram gravados 2 anos de sorrisos, gargalhadas, conversas, discussões....

Não importou.

Com muito medo e receio dei uma pequena oportunidade a esta mesma rapariga. As conversas multiplicaram-se, os dias também, os sorrisos mas algo faltava.

Estivemos juntas.

Primeiro foi muito estranho. Já não sabia o que era ir ter com alguém que não conhecia. Alguém que não eras tu. Não fez diferença. Com pequenos passos fomos conversando, brincando, sorrindo, perdendo a timidez e a vergonha.

Primeiro beijo.

Demorou uma hora até ter coragem de te beijar. Eu queria. Quis desde o momento em que te vi mas faltou-me a coragem para seguir em frente com o meu passado. Finalmente, consegui. Beijei-te. Foi diferente mas bom. Algo novo, cativante, sedutor, viciante.

O momento desenrolou-se.
Seguiram-se horas de risos, trocas de puro mimo, carinho. Brincadeiras.
Surpreendeste-me muito pela positiva. Não te imaginava assim. Foste alguém que não esperava encontrar. Alguém que eu não esperava deixar entrar no meu mundo.

Entraste.

As horas foram passando. Os beijos trocados acumularam-se. As caricias trocadas, a tua forma de sorrir, os teus olhos verdes acastanhados, a tua maneira tonta de agir, a tua maneira de falar, a forma como me beijavas, como me mexias no cabelo... Tudo... A forma como me abraçavas, como me fizeste sentir...

Sentimento de pura alegria.

Não queria que o dia acabasse. Que tivéssemos de dormir. Não queria desperdiçar um segundo que fosse...
Adormecer contigo foi perfeito. Adormecer sabendo que estavas ali, mesmo ao meu lado e, mesmo assim, sem invadir o meu espaço, as minhas memórias, o meu coração despedaçado.
Compreendeste-me, respeitaste-me. Significou o mundo para mim!

A manha seguinte chegou. 

Acordar ao teu lado, com os teus beijos, o teu toque, a tua voz. Sentir-te percorrer o meu corpo como tantas vezes já tinhas feito na noite anterior. Deixei-me ir. Não pensei em mais nada a não ser em ti, em nós, no teu sorriso, no teu olhar.

A despedida.

Acima de tudo foi cruel. Custou-me ver-te partir.  Sentir-te longe dos meus braços. Despedir-me de ti com um beijo rápido porque o autocarro estava a partir. Acenei. Senti uma lágrima a querer escorrer. Controlei.
Conduzi até casa sem ver a estrada, sem me aperceber de nada. Completamente anestesiada. Senti-me vazia. A alegria que senti naquelas 24 horas tinha desaparecido. A razão daquela alegria tinha desaparecido. Tu.

Cheguei a casa.

Sinto o teu cheiro no ar. Chego à cozinha e vejo a manta do sofá. Jaz no chão amarrotada. Fruto de algo inexplicável.O prato das torradas, juntamente com duas canecas. O nosso pequeno-almoço. Abraçadas naquele mesmo sofá.

Chego ao quarto. O teu cheiro está por todo lado. Quero beijar-te e não te tenho.Quero tocar-te e tu não estás....
Sozinha nesta casa silenciosa o vazio consome parte de mim.

Hoje, dia 1 de Julho, ficam as recordações de um novo dia que nasceu com alguém que talvez se torne muito especial. 

DC.



terça-feira, 12 de junho de 2012

Fairy tale




I'm at a payphone trying to call home
All of my change I spent on you
Where have the times gone,
Baby it's all wrong
Where are the plans we made for two

Yeah, I, I know it's hard to remember
The people we used to be
It's even harder to picture
That you're not here next to me
You said it's too late to make it
But is it too late to try?
And in our time that you wasted
All of our bridges burned down

I've wasted my nights
You turned out the lights
Now i'm paralyzed
Still stuck in that time when we called it love
But even the sun sets in paradise

I'm at a payphone trying to call home
All of my change I spent on you
Where have the times gone,
Baby it's all wrong
Where are the plans we made for two

If happy ever after did exist
I would still be holding you like this
And all those fairy tales are full of sh*t
One more f*cking love song i'll be sick

Oh, You turned your back on tomorrow
'Cause you forgot yesterday
I gave you my love to borrow
But just gave it away
You can't expect me to be fine
I don't expect you to care
I know I've said it before
But all of our bridges burned down
(...)

Fizeram ontem 4 meses desde que te perdi. 4 meses que parecem uma eternidade.
Depois deste tempo todo percebo que te amo exactamente da mesma maneira, para sempre, quer eu queira quer não.


Os meus dias têm sido passados a chorar. Assaltas-me o pensamento e roubas-me o adormecimento por mim sentido. Fazes-me lembrar do que fomos e massacras-me com o que poderíamos ter sido. Porque?! Porque é que mesmo ao fim de 4 meses tudo parece ter sido ontem? Porque é que o meu coração não cicatrizou como o golpe no meu braço? Porquê? Porque desististe de mim? De nós? Do nosso futuro, do meu amor por ti... Porquê?!

Porquê será sempre a palavra que permanecerá associada a ti.

11.2.2012
Para sempre, LMP.
Amo-te.


DC.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Adormecimento emocional


Às vezes pergunto-me como fui capaz de desistir de quem amava.
Como sou capaz de pensar em ti e não chorar, como sou capaz de pensar no teu sorriso e não sorrir.

Conformei-me. O tempo vai passando. Os dias passam, lentamente.

Olho para a última mensagem que trocámos, dia 3/6. Olho para a data de hoje, 5/6. Passaram dois dias e parece que passaram meses.
Como pode alguém me me magoou tanto fazer-me tanta falta?!

Estou naquela fase de adormecimento emocional. Por vezes choro, outras vezes quero chorar por ti e não consigo. Tenho medo de te esquecer. Tenho medo de deixar de saber o que é amar-te. Tenho medo de nunca mais saber sorrir.

A verdade é que já não sei quem sou. O que resta de mim, sem ser tua?!
O que é que eu vou fazer quando não te amar?
Pior que isso, e se me iludo? Se daqui a uns meses achar que já não te amo, que estou bem sozinha e tu voltas? Sei que vai bastar um olá, um segundo da tua voz e tudo isto cai por terra...

Como fui capaz de perder o amor da minha vida? Como fui capaz de decidir pôr um ponto final no nosso "bad romance"? Como foste capaz de me deixar fazer isso?

sábado, 19 de maio de 2012

Processo iniciado

Falta-me fazer apenas uma coisa para iniciar o processo de esquecimento.

 Para sempre foi o que prometi. Prometi-to porque pensei que ficaríamos juntas para sempre, não aconteceu. Por isso, a partir de hoje vou tentar quebrar a promessa que te fiz há meses atrás. 

Lamento. Estava disposta a tudo neste mundo por ti mas não o soubeste aproveitar. Usaste-me mal usada, abusaste, pisaste, calcaste, esfaqueaste-me, roubaste-me o meu coração ainda a sangrar.

Pois bem, chega. Apaguei-te da minha vida. Daqui em diante vou cuidar de mim. A minha vida serei eu e o meu futuro profissional. 

Podes um dia voltar mas nesse dia não significarás nada para mim. Lamento, mais uma vez que seja assim, tínhamos algo que poucas pessoas possuem mas a Vida quis assim, que assim seja.

Espero que sejas muito feliz, que concluas o curso com todo o sucesso, que consigas cumprir todos os teus objectivos e que encontres alguém que te ame e que tu ames de volta, como eu fiz e farei por algum tempo.

Um dia foi um Amo-te Para Sempre, gravado em prata. A partir de hoje é Um dia deixarei de te amar, gravado no meu coração.

Contudo, serás sempre tu.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Buraco Negro

Nunca tal me tinha acontecido. 
Mesmo estando mal nunca tinha chegado a este ponto. Nunca me cruzei com alguém que conheço apenas de vista que me perguntasse "estás bem?". Todas as minhas lágrimas cederam...

Foi hoje, depois de uma aula. A conversa começou com uma dúvida sobre a matéria e terminou comigo em lágrimas a desabafar com a professora. -"Já tomou antidepressivos?", perguntou ao que eu respondi não. Nunca. Sempre, mesmo estando fraca, fui forte o suficiente para me levantar sozinha. Sempre arranjei forma de me erguer (métodos pouco convencionais mas bastante eficazes)...  

O meu mundo voltou a ruir, sim voltou porque, mais uma vez tudo voltou a acontecer.

Mas aquela professora, de quem eu por acaso não achava muita piada, fez-me sentir algo que há muito não sentia. Não lhe contei a minha história, não a verdadeira razão . Contei-lhe a versão que, eventualmente, contaria aos meus pais, a versão da escola. Infelizmente essa é verdade mas deve-se à razão escondida. Coração partido, destroçado, sem esperança, vazio.

Contou-me um pouco da sua história e perguntou-me se queria encontrar-me com ela mais tarde para conversarmos. Disse-lhe que não, "amanha tudo terá passado", disse eu. Respondeu-me "pode até fingir que passou, para os outros, mas a Diana sabe que é mentira e sabe que isso se acumula e que é um ciclo vicioso, uma bola de neve. Procure ajuda, há momentos da vida em que temos de o fazer para sobreviver".

Não posso. Não posso pedir ajuda, os meus pais não podem saber. Não o merecem. Não merecem que a filha tenha problemas porque, bem vistas as coisas, a filha deles não tem absolutamente razão nenhuma para ter problemas. E há-de permanecer assim. Hei-de chorar à noite e manter o sorriso durante o dia. Vou fazer um esforço para preencher o meu olhar na presença de outras pessoas. 

Máscara. É a única coisa que possuo para me agarrar.

Já não há sonhos, esperança, felicidade, preenchimento, cor.

Buraco negro. É o que me define