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domingo, 28 de novembro de 2010

Um último Adeus.

Lembro-me como se fosse hoje. Aquele dia em Setembro, o derradeiro dia em que a vida de estudante universitária começaria. Lembro-me de procurar a mão da minha mãe, qual menina pequenina. Lembro-me que estava petrificada, aterrorizada. Aquele edifício provocou em mim mil sentimentos maus, vontade de voltar para trás, desistir da faculdade, voltar ao Secundário, voltar a fazer exames, enfim, ficar e nunca mais sair de casa, da minha casa.
Mas teve de ser... Entrei. Ainda de mão dada à minha mãe ouvi "Tens a certeza que queres ficar aqui?" e eu só consegui olhar para a minha mãe, suspirar e dizer - "Tem de ser." Fui fazer a matricula, ou melhor, tentar, uma vez que eu tremia tanto que não conseguia pegar, sequer, no rato do computador. Fiquei sentada, a tremer, encolhida a ver todas aquelas pessoas que se pareciam muito mais velhas do que eu... Quando finalmente vim embora dei por mim a pensar como iria conseguir sobreviver a 3 anos naquele sitio... Sim, sobreviver era o termo adequado.
Segunda-feira de manha, dia 22 de Setembro de 2008, o meu pai levou-me à Faculdade. Deixou-me no auditório. Deu-me um beijo e virou costas. Doeu. Senti-me abandonada. Deixada lá.mas também sei que o fez por lhe custar. Entrei. Sem conhecer ninguém sentei-me na primeira cadeira livre que encontrei e aí fiquei. Ouvi, pela primeira vez de muitas, as Tunas Académicas e fiquei encantada. Depois disso, foi altura de ir à aula de apresentação da turma de Enfermagem Veterinária, a minha nova turma. Entrei e sentei-me. Vi logo uma rapariga com um casaco castanho semelhante ao meu e logo por aí detestei-a. Ao meu lado sentou-se um rapaz e, o meu primeiro pensamento foi "Pronto, tudo será como no Secundário.". Mas não. Aquele rapaz demonstrou ser o melhor dos amigos, a pessoa que estaria ali para me apoiar, independentemente de tudo. Todos os outros foram conhecidos, alguns imediatamente postos de lado, outros esperando, um dia, poder vir a conhecer da maneira que ansiava.

O primeiro ano foi passando. Algumas lágrimas, muitos risos, a descoberta, a aventura, uma nova vida, uma liberdade até então desconhecida. Passei as férias de verão a desejar que Setembro chegasse depressa para poder rever todos aqueles de quem gostava, de voltar para o lugar onde me sentia livre e feliz. Mas nada foi como dantes. A amizade quase se dissolveu. Perdi a conta das vezes que, em agonia, chorei, desejei sair dali e nunca mais voltar. Estive quase a desistir. Até que, a pessoa que agora mais significa para mim me disse "Não achas que está na altura de enfrentar isso e decidir se o queres ou não e então lutar?" E foi o que fiz. Tomei a minha decisão. Decidi que queria aquilo, que ia lutar, não pelo que tinha tido mas por um pouco de amizade, convívio.. E assim foi. O segundo ano acabou, finalmente.

No ultimo dia de aulas, aquele amigo a quem chamava de Melhor Amigo, pela maior das parvoíces, deixou de me falar. Mas, por incrível que possa parecer não custou. Mostrou-me apenas que era, de facto, possível viver sem ele, sem aquela amizade.

Setembro chegou, mais uma vez. Recebi uma mensagem dele dizendo que tudo voltaria ao que era, mas não para mim. A confiança, outrora de 100%, desapareceu, ficou apenas um sentimento vago, mal comparado a uma pessoa com quem posso tomar um café e não voltar a ver nos próximos 10 anos. Fiz de conta. Fiz de conta que voltámos a ser os amigos que éramos, contudo, no meu íntimo, sabia que tal não era verdade e esforçava-me por te mostrar a mentira. Voltaste a confiar em mim, voltámos a sair juntos, como se nada se tivesse passado. O primeiro semestre passou, atribulado, mas passou. O Pedro, pessoa que me abriu os olhos quando estive quase a desistir de tudo, mostrou-se, mais uma vez, um amigo que estaria ali quando fosse preciso sem a necessidade de atenção que tu precisavas. Uma amizade que eu adorava pois, apesar de não o demonstrarmos, sabíamos que estávamos ali, para o que fosse preciso.
Estagiei contigo e, agradeço profundamente a tua companhia naquelas 3 semanas, no entanto, pelo simples facto de que aquele estágio foi uma enorme seca, apenas por isso. E, mais uma vez, voltei a fingir que confiava em ti, voltei a fingir, voltei a ser cínica...

Pela coisa mais estúpida que possa existir voltaste a deixar de falar comigo e agora sou eu quem o digo, não voltas a fazer parte da minha vida. Não preciso de ti. Guardo as recordações, as boas e as más. Aquelas que me fizeram sorrir e rir como uma perdida e aquelas que me fizeram chorar e gritar de desespero. As marcas, físicas e psicológicas permanecem mas não passam disso, marcas, cicatrizes. Guardarei tudo isso dentro de uma caixinha, dentro do meu coração. Não me arrependo do que fiz. E, espero por muito tempo, guardar aquela que é possível ver com os olhos comuns. Não a fiz por ti, mas sim por mim. Aprendi com isso, aprendi que posso ser forte quando é preciso, aprendi que não preciso de amigos, pelo menos não preciso de pessoas cínicas e arrogantes na minha vida, para isso tenho-me a mim, obrigada. Não preciso de confiar os meus problemas a outra pessoa que não ao meu próprio eu. Acima de tudo, aprendi a não dar a vida por outra pessoa. Aprendi que nem sempre, se não nunca, as pessoas não valem a pena. Aprendi a não fazer planos, aprendi a não falar num futuro, apenas no presente e mesmo nesse, planeado sempre com a consciência que tudo pode mudar num segundo.

Contigo, descobri a pessoa que era. Agradeço-te por tudo, pelo bom e pelo mau. Mas, o sentimento acabou. Seguirei a minha vida, sem ti. Desejo-te as maiores felicidades para a tua vida, a nível pessoal e profissional. Espero que encontres a pessoa que anseias. Farei o mesmo.

Praticamente terminado o curso, despeço-me da minha vida de estudante universitária, ansiando a próxima que se avizinha, despedindo-me também da pessoa que fui contigo e, acima de tudo, despedindo-me de ti, sem esperanças.

Adeus Carlos. Adeus Faculdade. Adeus Pessoas que, mais uma vez, vão e vêm na minha vida.

DC.

domingo, 25 de julho de 2010

A única coisa que posso dizer é que, incondicionalmente, Amo-te.

Voltaria atrás, se pudesse.
Remediaria o meu erro, se pudesse.
Faria tudo para me perdoares.
Faria e Daria tudo para voltar a ter-te de novo.

Espero que, com o passar do tempo, me perdoes.
Estarei aqui, sempre.

Adoro-te.

DC.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Desilusão

Voltaste. Não queria que voltasses. Foi cedo de mais... Era suposto teres ficado longe de mim por mais algum tempo. Foi intenso, foi profundo, foi doloroso e, por isso mesmo, não queria que voltasses já, deixa-me, liberta-me de uma vez por todas. Porque me assombras? Porque me entristeces? O que ganhas com isso? NADA!!! Sai, vai embora, não te quero, deixa-me ser feliz. Não quero mais cicatrizes, não agora.

Tens-me mostrado qual o meu lugar na tua vida e, fazendo-me de burra, finjo que não percebo, finjo que está tudo bem e que continuo no meu pedestal. Sei que o perdi, por culpa minha, por culpa tua ou simplesmente por culpa de outrem. Os sorrisos mudaram e os olhares também. As caricias acabaram. As falas diminuíram e a distancia aumentou.
Cada vez que os preferes em vez de mim, afastas-me. Cada vez que me mostras que elas são importantes e a mim me deixas a um canto, afastas-me. Cada atitude tua que tens para com elas e que, anteriormente, tinhas para comigo, afasta-me.
Chama-lhe ciumes. Chama-lhe o que quiseres. A verdade é que eu, o ano passado, sentia-me única, nesta nossa vida de faculdade, sentia-me a tua menina e este ano tudo mudou. Mudou a tua maneira de me olhares, mudou o sorriso que sempre me mostraste, mudou o toque, acabaram-se as pequenas demonstrações de afecto que existiam e que eu tanto prezava.

Lembro-me quando estivemos com os teus amigos. Os teus verdadeiros amigos. Senti-me bem e soube exactamente qual era o meu lugar. Não tive ciumes. Nenhuns. Senti-me integrada, senti-me parte da tua vida. mas sabes o que mais adorei? O teu olhar e aquele sorriso quando olhaste para a Catarina. Um olhar doce e terno, carinhoso. E o meu pensamento ao ver aquilo foi simplesmente, "Gostava que um dia ele me olhasse com os mesmos olhos. Gostava que um dia sentisse por mim aquilo que sente por ela." Não foi ciume, foi pura admiração. E, infelizmente, cada vez mais, vejo esse olhar dirigido para a Rita e não para mim e mata-me. Corrói-me por dentro e só me apetece desaparecer de vez sem deixar rasto.

Sim, prefiro isolar-me a ter de ver isso vindo de ti. Prefiro passar os meus dias sozinha, a chorar, do que ver a tua pura felicidade, a felicidade que tinhas comigo. Desisto. Dou-lhe o lugar, afinal, tu já lho deste. Quem sou eu para negar tal coisa?

Quero-te de volta. Partilha-te. Mostra aos outros aquilo que sou para ti, MOSTRA-ME o que sou PARA TI! Uma vez que seja... uma vez apenas... De outra maneira afastar-me-ei cada vez mais... Não tenho como não o fazer.

Diz-me, mostra-me apenas o que queres e fá-lo-ei. Apenas por ti.

DC.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

O Fim?

Sinto que cheguei ao fim.
De um momento para outro a depressão abateu-se sobre mim dominando-me por completo.
Por muito que ela tenha sido, desde sempre, a minha leal amiga, revelou-se, agora mais do que nunca, a minha pior inimiga. Sem eu querer ou contar, derrubou-me. A sangue frio apunhalou-me e, simplesmente, não consigo estancar este sangue que, numa correria louca, me abandona. Pouco a pouco sinto o meu corpo dormente, os meus movimentos entorpecem e eu, lentamente, começo a perder a consciência de tudo mas, ao mesmo tempo, ganho-a. Apercebo-me das coisas que fiz e que não devia ter feito, das coisas que ficaram por dizer, todas as palavras que deviam ser ditas em certos momentos e não foram, por vergonha ou incerteza do sentimento. Clareza, é tudo o que sinto agora.
Arrependimento.
Arrependo-me, maioritariamente, daquilo que não fiz.
Arrependo-me, sim, profundamente, de não o ter feito antes. Porquê? Porque, na minha inocência de criança e também adolescente, ainda existia esperança. Esperança essa que durou quase 20 anos. Esperança que, com o decorrer do tempo, tudo se recompusesse. Não. Não aconteceu.
A vida mostrou-se dura, dificultada por barreiras transparentes, barreiras que não consegui antever. Barreiras opacas, outras, simplesmente barreiras.
Com a ajuda de algumas pessoas, após o embate contra estas, levantei-me.
Em tempos, fui impedida de o fazer. Mas o sentimento perpetuou-se, ganhou consistência e, passados estes anos, voltou a atacar-me. Com a pouca força que me resta luto. Esta luta, que anseio por ganhar, sinto-a no fim e, sabendo o final, perco-a.
Grito desesperadamente por ajuda mas ninguém me ouve. Grito em seco, grito roucamente, ou sonharei apenas que grito? Como é possível que ninguém me oiça? Como é possível que ninguém esteja na disposição de me estender uma mão, um dedo que seja? Será pedir muito, antes que seja tarde de mais, que alguém me abrace fortemente, me puxe na direcção contrária do tornado que varre, sem dó nem piedade, o meu coração e também a minha alma?
Peço-te! Preciso que me salves de mim própria!

A luta e o desespero são tão grandes que já nem uso o cinismo que possuo. Qualidade tão magnifica, para quem a compreende, mas tão desprezada pelos outros. Não quero saber de mais nada, deixei de fingir que tudo está bem comigo, que sou feliz e transpiro alegria. Qual o propósito de enganar os outros, de iludi-los?
Talvez, se eu fosse uma pessoa alegre e divertida, as pessoas gostassem mais de mim. No entanto, no meio de tantas dúvidas, sei que, quando estiver sozinha, posso então despir essa roupa que, outrora me assentou extremamente bem, e que, devido a tudo o que ocorreu desde então, deixou de me servir. Não quero saber... Vou mostrar o meu pequeno sorriso, nesse mesmo sorriso, esconder a lágrima que se avizinha e que, sem bater à porta, entra e escorre. Não vou permiti-lo, não assim. Não vou chorar em frente a ninguém, nem mesmo à tua frente. Vou sorrir, mostrar aquele meu pequeno sorriso que, em tempos foi sinal de adoração mas que agora serve, unicamente, para esconder a dor que sinto. Porque não a vês? Porque não a vês espelhada no meu olhar? Porquê?
Não te afastes de mim, não agora. Não me deixes afastar-me de ti, não permitas. Não me quero isolar mas sou obrigada. Involuntariamente escondo-me, afasto-me, choro e desespero. Por favor... obriga-me. Obriga-me a não ficar sozinha, obriga-me a ficar perto de ti ou até perto dos outros. Força-me a sorrir. Preciso. Preciso que venhas atrás de mim e me abraces. Abraça-me. Só preciso disso. Preciso fortemente desse abraço apertado, de um segundo de carinho, de um segundo de importância e não apenas de uma ou outra palavra. Abraça-me com toda a tua força e mostra-me que tudo não acabará aqui. Não deixes que tal aconteça. Por favor.

Não o faço para chamar atenção. Não penses isso de mim. Não o faço por ciume, apesar de o sentir. Faço-o porque és o único a quem posso pedir tal coisa. Além de não ser uma coisa da qual me orgulhe, não posso, nunca, falar com os meus pais. Visualizar a desilusão ou o desespero estampados nas caras deles enlouquece-me. E sozinha já tentei. Todos os dias tento. Todos os dias forço a corrente que me prende... Tenho medo que ela se parta.

Isto não surgiu do nada... Todos estes anos acumulados, todos os sentimentos amarrados, Ela, agora este súbito sentimento de substituição... transbordei e, a pequena depressão, minha característica pessoal, apoderou-se de mim. Podia até brincar com as aulas de Infecciosas e compará-la a uma Listéria que, estando eu imunodeprimida se apoderou de mim. Infelizmente não a "apanhei" de uma alface mal lavada.
Não é o facto de não teres paciência para ouvir os meus desabafos disparatados que me deixa mal. É o facto de eu, simplesmente já não os conseguir guardar para mim. Sempre o fiz e, desde que te conheci que aprendi a confiar, de tal maneira em ti, que custa-me não partilhar. Mas não, não consigo falar sobre isto. Eu sei que devia chegar à tua beira e dizer-te tudo o que me atormenta mas não consigo. Há coisas, que, pela imensa dor que causam, não me são possíveis de exteriorizar. Compreende-me. Eu sei que é preciso coragem para conseguir acompanhar-te, sei que é necessário muito mais do que dedicação, mas não neste caso. Neste caso não se trata de ter coragem para te dizer aquilo que sinto que está mal connosco, trata-se de ter coragem para chegar à tua beira e pedir-te ajuda porque não consigo aguentar isto sozinha.
Desde que te conheci que não voltei a fazê-lo, pela mesma razão pela qual tu não me contaste dos teus jogos amorosos, porque te desagrada, porque não compreendes. Talvez percebas agora que eu preciso disso para não ficar assim, neste estado, de depressão profunda, a minha própria depressão profunda.

Percebo perfeitamente se não fizeres nada, se te limitares a agir normalmente. Percebo que não estejas disposto a aturar-me. Percebo, se a partir daqui, te afastares por completo. Percebo que não queiras uma amiga que tem esta mentalidade, mas não consigo evitar. Foram quase 20 anos a reprimir sentimentos e emoções. Cheguei ao limite e preciso de ti. Desesperadamente de ti. Preciso da pessoa que és e que, por motivos que eu não compreendo, escondeste.

Acalmou-me. O frio do metal e o quente do sangue, mais uma vez acalmaram-me. Fui mais longe. Talvez mais do que aquilo que devia mas não faz mal. Talvez assim eu volte àquilo que era, talvez assim volte a ser aquela que outrora conheceste a adoraste. Talvez assim eu consiga não o fazer....

Não me julgues, não me critiques, não olhes para mim com esse teu ar de desaprovação. Por favor! Talvez não seja a maneira mais correcta de lidar com esta situação mas é a única que me segura e mantém aqui, perto de ti.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A nossa amizade

Talvez se observasses mais as pessoas que te rodeiam em vez daquelas que por ti passam, não precisarias de me perguntar o que tenho.
Talvez eu só precise que voltes a ser quem eras, aquela pessoa que reparava em mim, que notava logo a diferença na minha "depressão", que fazia de tudo para me voltar a pôr bem, que me ouvia... Sinto que te estou a perder, não porque me afasto, mas porque tu, involuntariamente ou não, te afastas de mim. Um afastamento subtil, um pequeno passo de cada vez e que nos levou a isto. Não consigo compreender essa tua capacidade de pôr de parte as pessoas que, supostamente, são importantes na tua vida.
Prezo a nossa amizade acima de qualquer outra coisa e, talvez por isso, esta situação me custe tanto. Já paraste para pensar na razão que me leva a andar assim? Fazes ideia do que é ver-te a contar aquilo que se passa na tua vida a outros amigos nossos e, a mim, nem uma palavra, uma passagem que seja, me contas. Porquê essa súbita falta de confiança? Serão eles melhores amigos do que eu? Percebem exactamente aquilo que vives e sentes a cada momento que a tua vida passa e uma novidade surge? Se assim for... então lamento o facto de já não ser suficiente boa amiga.
Magoa. Magoa muito saber que confias em todos os outros e não em mim, que simplesmente passei a ser indiferente para ti, que unicamente estou contigo por rotina e não porque, de facto, me queres à tua beira. Não tenho a vida agitada e fantástica que tu e os outros teus amigos têm mas talvez, só talvez, eu, de tempos a tempos, precise da tua atenção, só um pouco para que me ouças... Podes até fingir que ouves e responder-me um "pois" porque não me estás a ouvir mas ao menos finge, ilude-me, finge que ainda te preocupas comigo... Faz de conta que ainda sou importante para ti, faz de conta que ainda me queres na tua vida, faz apenas de conta.
Mas, no entanto, tenho uma teoria. Este teu afastamento deve-se ao facto de eu não concordar com algumas das coisas que andas a fazer? Tu, mais do que ninguém, sabe que amizade não é concordância total, é discordar quando achamos que o outro está errado e dizer-lho. Talvez nós estejamos certos. Achas que, por os outros acharem muita piada às coisas que têm acontecido recentemente na tua vida, fazem deles melhores amigos do que eu? Achas que é essa a definição de amizade?
Por muito opaco que sejas, porque o és e sabes disso, existem pequeníssimas coisas, como uma expressão ou olhar, que, a mim, me mostram muita coisa... Pergunto-me, se eles reparam sequer nessas ínfimas coisas. Duvido... conhecem-te à poucos meses e acredita que és extremamente difícil de conhecer devido a essa tua personalidade. Frio, insensível, astuto, calculista, cínico, falso, presunçoso e convencido, um verdadeiro jogador, ou melhor, um verdadeiro vencedor. Já paraste para pensar na tua vida? Naquilo que tens e conquistas a cada segundo que passa? Muitas pessoas dariam qualquer coisa para ter um terço daquilo que tens e, a única coisa que eu quero, é a tua amizade. Aquela que em tempos nos fazia rir como perdidos, aquela que nos dava tema de conversa durante horas a fio, aquela que me fazia feliz... Não é impressão minha, mas nós já não temos isso... Tu não partilhas as tuas coisas e quem sou eu para te maçar com os meus insignificantes problemas? Ninguém.
Podes atirar-me à cara que são ciumes, não são, garanto-te. A única coisa que quero para ti é que sejas feliz, sendo que tal nunca se pôs em questão. Quero apenas perceber isto, perceber como chegámos a este estado, a esta distância... Diz-me, porque eu não aguento isto. És demasiado importante para mim para eu conseguir ser forte ao ponto de mostrar que esta desavença não me afecta. Simplesmente não consigo.
Quero de volta o meu melhor amigo. É possível?

DC

terça-feira, 16 de março de 2010

Sonhos

Eu tento e volto a tentar...
Caio.
Com muito custo, levanto-me.
Vejo-te.
Perco-me nos teus olhos e nos teus lábios.
Volto a cair.
E, mais uma vez, volto a levantar-me.

Sozinha ou acompanhada, nego.
Nego tudo, incluindo o que é óbvio.
Nego que te quero ver,
observar,
poder olhar para cada contorno teu,
poder gravá-lo na minha memória a ferro quente,
poder delinear os teus lábios e os teus olhos com o meu olhar,
simplesmente recuso-me a aceitar.

Recuso-me a aceitar que não me falas,
que não me olhas,
que não significo absolutamente nada para ti,
recuso-me a aceitar que não me queres.

Gostava que tudo fosse diferente.
Gostava que fosses outra pessoa.
Alguém que se importa com os sentimentos dos outros,
alguém que possui sentimentos,
alguém que não usa máscaras,
alguém me que quer,
alguém que gosta de mim.

Quero pensar em ti sem incongruências,
pensar apenas em ti, sem pensamentos atropelados,
sem vozes de fundo,
sozinha,
contigo,
simplesmente,
só nós.

Sonhos meu amor...
sonhos.


DC


terça-feira, 9 de março de 2010

Um novo começo

Sim, tomei uma decisão. Relativamente ao dilema que me mantém acordada toda a noite, consegui decidir-me e, suponho eu, pela melhor opção existente. Sem pensar em prós e contras, porque tais não existem, decidi apenas fechar os olhos e imaginar o meu (in)consciente livre do teu nome e da tua imagem. De facto, agradou-me e, por isso mesmo, tomei uma decisão. Deixar-te para trás no caminho que ainda tenho a percorrer para que desta forma possa lembrar-me de ti como passado.

Achaste que eu ia ficar eternamente à tua espera? Pensaste que andaria eternamente atrás de ti? A sério? Pensaste mesmo? Como conseguiste ser tão ingénua?! Devo dizer-te que me surpreendeste.
O teu lema, "Jogar pelo seguro é assim: Atraí-las, alimentá-las, nunca as deixar partir e, quando sentir que elas estão quase a cansar-se de não receber, dar um bocadinho, só um bocadinho que as mulheres contentam-se com pouco, felizmente."

Pois é meu amor. Realmente segues esse lema à risca. Sim, atraíste-me, alimentaste-me e não me deixaste partir mas, infelizmente para ti, assim que me cansei de não receber, fechei este capitulo da minha vida e virei a página do livro que conta a minha história de encantar. No entanto, pensas que foi apenas por não receber? Enganas-te, não receber foi apenas um factor "para te deixar". Como te disse anteriormente, e como sabemos desde o inicio, uma de nós tem de ficar por cima e, deste modo, cansei-me, primeiro, por ter de ficar por baixo e depois por não receber. Nunca, em momento algum da minha vida abdiquei da minha dominância e sendo assim não posso continuar com isto. És perita a manipular pessoas, com esse teu jeito e sorriso e, mais do que nos outros, fizeste-o comigo, no entanto, para mim chega.

Tenho perfeita consciência de que não verei mais o teu sorriso ou ouvirei a tua voz em direcção a mim, sei que não sentirei mais o teu toque e muito menos os teus lábios contudo a vida é feita de escolhas difíceis e estava na altura de tomar uma. Está tomada.

Agora, agora vou eu mostrar-te a minha dominância, vais sentir o que é teres de te submeter a alguém, caso me queiras, e provar do teu doce e fatal veneno. Vais sentir o que é ser completamente ignorada, ou melhor, vais continuar a sentir, sim porque eu já comecei e confesso, estou a adorar este pedestal. Olhar para ti e virar costas, estar na mesma divisão que tu e agir como se lá não estivesses, adoro.

Mas, confesso. Dói, dói muito. Dói ter de te desprezar quando um pequeno sorriso está quase a emergir dos meus lábios, dói sentir o coração apertado e sufocado como se toneladas de água se abatessem sobre mim, mas acima de tudo, dói ter de me mostrar tão forte perante ti.. Ainda não tive coragem de olhar-te nos olhos e virar-te a cara mas, como tudo na vida, requer prática. Estou a fazer o melhor que posso e espero conseguir muito melhor, tendo eu como principal objectivo, olhar para ti e não sentir absolutamente nada.

Apesar de te querer no meu passado não ponho de parte um possível futuro onde coexistamos. Não sei como vais reagir a esta inversão de papéis mas sim, quero que sejas minha, exactamente da mesma maneira como eu fui tua. Quero que consigas guardar a tua bela dominância numa caixa e retomes o meu papel, que te submetas a mim e consigas ser comandada por mim. Consegues? Não possuo qualquer esperança quanto a uma resposta positiva, no entanto, vá, daria-me imenso gozo que tal acontecesse.

Apaixonada por ti? Muito; no entanto, espero também reverter essa condição.

DC

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Talvez um dia...

Não aguento mais... Vivo, já há algum tempo, numa atmosfera tóxica que me corrói por dentro, apenas por dentro e, durante todos estes momentos tenho fingido que está tudo bem comigo, fingindo para os outros e até para mim própria tentando, em vão, mentalizar-me de que estou bem e que esta é apenas mais uma fase pela qual estou a passar, mas, infelizmente, não é o caso.

Sinto o meu mundo, o meu pequeno mundo encantado, a desmoronar-se, como se tivessem retirado a pequena pedra que me suporta e mantém de pé. O interesse por mim própria há muito que desapareceu mas, ultimamente, a situação agravou-se e não foi só este interesse que desapareceu... Passo os dias apenas com um pensamento, que será só mais um dia que passou e, ao mesmo tempo, que falta menos um dia para que tudo acabe... Já nada me motiva, nem as boas notas, nem os amigos, simplesmente nada... E tudo por tua causa... Como é possível que sejas a causadora de toda esta destruição psicológica?!!

Como conseguiste deixar-me assim?!
Nunca tinha estado assim tão confusa... cada pensamento meu é precisamente o oposto do pensamento anterior. Como é isto possível? Como podes ser tão opaca? Tão fria? Tao insensível? Tao estúpida? Tão cruel comigo? Porquê?!!! Como consegues tratar-me desta maneira?
Necessito urgentemente de alguém que me explique a tua forma de pensar e de agir... Não aguento esta situação... A mágoa que sinto é imensa, e, receio eu, mais do que aquela que o meu pequeno coração possa suportar.. A única coisa que quero é ter-te, sem qualquer tipo de compromisso mas ter-te. Ter-te sem ter de me subjugar a ti. Não quero ser apenas um brinquedo teu, não consigo. Não faz parte da minha natureza ser dominada e custa-me imenso ter de me rebaixar perante ti...
Jurei a mim mesma que, desta vez, não daria o braço a torcer e mantenho a promessa mas, já tu, desta vez fizeste-o e o que me intriga é o porquê? Porque deste tu parte fraca se não queres nada de mim? Se estás no mesmo sitio que eu e ages como se eu não estivesse presente? Sabes o quanto isso dói? Imaginas sequer a dor que isso causa?

Não fazes a mínima ideia do que é estar incondicionalmente e irrevogavelmente apaixonada por ti... Tentei negá-lo, aos outros e a mim mesma, mas sim é verdade. É verdade que penso em ti a toda a hora e a todo o minuto, é verdade que o meu maior desejo é ter-te, é verdade que não consigo, por um segundo que seja, esquecer os beijos que trocamos e a sensação que estes provocaram em mim, é verdade que fico doente só de pensar que estarei no mesmo sitio que tu, é verdade que o meu coração quase explodiu assim que vi uma mensagem tua, é verdade que a coragem para a ler foi praticamente nula... Conseguiste provocar em mim uma enorme felicidade, pelo simples facto de te teres lembrado de mim, de teres dado o braço a torcer e, precisamente ao mesmo tempo, um monte de perguntas irromperam na minha cabeça. Porque terias feito isso? Será que queres alguma coisa de mim? Mas se queres porque me tratas assim? E tudo, todos os meus pensamentos, basicamente, seguem esse raciocínio.. se é que podem ser considerados como tal...

O facto de seres a pessoa mais imprevisível à face da Terra torna toda esta situação ainda mais complicada. Não consigo antever qualquer reacção tua e isso deixa-me imensamente desprotegida, o que é, provavelmente, o teu objectivo...

Porque tem a nossa "relação" de basear-se na dominância ? Porque tem de ficar uma de nós por "baixo"? Porque não pode haver um meio termo? Não podemos, as duas em conjunto, controlar aquilo que temos e aquilo que queremos ter uma da outra? Eu sei que não consegues isso e, por isso mesmo, considero-me como o teu brinquedo pessoal, aquele que tu guardas na prateleira e, sem pensar duas vezes, substituis por outro até que um dia te lembras e lá me procuras e encontras cheia de pó e já gasta pelo tempo... Algum dia me darás valor? O devido valor?

Chegando ao fim, o dilema que me mantém acordada à noite mantém-se.
Só tenho duas escolhas, ou simplesmente ganho força e coragem e esqueço-te para sempre, acabo com tudo e sempre que te vir faço apenas de conta que tu não existes ou deixo que me uses como e quando queres...
Eu sei que não tenho capacidade para desistir de ti mas também não sei se me consigo submeter a ti da maneira que tu queres... O que é que eu faço???!!!!

Talvez um dia eu acorde e perceba que tudo não passou de um sonho, perceba que tu não exististe e que foi tudo fruto da minha imaginação. Neste momento, a única certeza que possuo é que te quero, muito, de uma maneira que tu, provavelmente, nem consegues imaginar...

Sim, quero-te.

DC

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Turbilhão de emoções

Sinto que, a qualquer momento, não vou aguentar mais esta situação e o meu coração entrará em colapso total...
Nunca, em nenhuma das experiências por mim vividas, fui capaz de sentir aquilo que sinto agora.. Não é amor, garantidamente, mas o que é? Atracção? Paixão? Desejo? Não faço ideia, sei apenas que o meu corpo estremece assim que sinto o teu toque, o mais ínfimo toque, provoca em mim uma descarga de adrenalina e, ao mesmo tempo, um turbilhão de emoções, sendo que estas, na maioria das vezes, são contraditórias.
É normal ouvir o teu nome e estremecer? É usual o meu ritmo cardíaco acelerar, como se meia maratona tivesse corrido, assim que sinto a tua presença ou ouço a tua voz?! Estarei eu a ficar obcecada por ti??! Provavelmente...

Mas não é isso que ponho em questão. O que me atormenta são as diferentes emoções que experimento a cada segundo que penso em ti. Inicialmente, admito que não gostei de ti, achei que tinhas a chamada "puta da mania", que todo o mundo girava à tua volta e sinceramente detesto isso, porque, normalmente, esse "papel" é-me destinado. E esse sentimento, o "não gostar de ti" manteve-se. Um dia, estando o nosso grupo de amigos connosco percebi que existia algo que não se encaixava, um sentimento que eu não compreendia. E tu, feliz ou infelizmente, mostraste o teu interesse por mim e, a partir desse mesmo momento, gravaste na minha memória o teu sorriso.

Esse sorriso que, sim e agora vou ser completamente lamechas, ilumina o espaço em que te encontras, a maneira como os teus olhos brilham, essa tua maneira de falar e de estar, não sei, não percebo, é um sentimento extremamente dificílimo de compreender... E, em parte, a culpa é inteiramente tua.

Como é possível eu compreender aquilo que sinto por ti se tu num dia me pedes um beijo e no dia seguinte passas por mim e simplesmente me ignoras? Eu não sei o que pensas, não sei nada da tua vida. Por muito que me custe admitir, simplesmente não te conheço. És alguém que apareceu na minha vida, uma desconhecida e, por mais esforços que faça, não consigo deixar-te ir.

Quero-te, no mais puro significado da palavra. Quero conhecer-te, olhar para ti, para a tua expressão facial e saber o que pensas, mas, acima de tudo, saber o que sentes e, se não for pedir muito, saber o que sentes por mim.

Eu sei que nunca irás olhar para mim da mesma maneira com que te olho, sei que nunca estarás atenta aos meus movimentos, aos meus desejos e muito menos saberás aquilo que sinto por ti, contudo, peço-te apenas que não me magoes, ainda mais, com essa tua atitude... Eu não existo só quando tu queres alguns beijos meus!

Sim tomaste a liderança aquando da primeira vez que os nossos lábios se tocaram e eu, confesso, senti-me muitíssimo inferiorizada e ainda sinto... Como pudeste, de certo modo, escolher-me?? Existem tantas pessoas disponíveis, como foste sequer olhar para mim? Unicamente porque percebeste que eu estava interessada em ti? Não acredito! E não, nada me consegue convencer de que, de facto te interessaste por mim. Porquê? Porquê eu?

Quando estamos juntas, mesmo que muito raramente, sinto-me uma menina, o meu coração acelera, o meu pensamento congela, o meu sistema nervoso deixa de funcionar e eu petrifico... Só me apetece beijar-te e, sempre que te afastas, apetece-me agarrar-te pela cintura e voltar a beijar-te. Mas tenho medo, medo que rejeites o meu beijo, medo que me rejeites por completo e, por isso mesmo, deixo que me uses sempre que queres e da maneira que queres... O que posso eu fazer? Eu sei, não devia permitir que fizesses isso comigo mas, não quero nem imaginar, como será pensar que não vou voltar a ter um beijo teu? Imaginar que não voltarei a ver esse teu sorriso quando olhas para mim, não ouvir, nunca mais, a tua voz ao pronunciares o meu nome...

Não quero pensar sequer na hipótese de estar apaixonada por ti, não me posso apaixonar por alguém que não quer saber de mim para nada... não posso mesmo. Não me quero magoar ainda mais...

É possível que olhes para mim e vejas mais do que um snack? Daqueles que podes comer onde queres e quando queres? Consegues olhar para mim e ver uma pessoa que gosta de ti? Uma pessoa que, de facto, te quer?

Sim, quero-te.

DC