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domingo, 30 de junho de 2013

   Tenho na cama a mulher que amo praticamente desde o dia em que a conheci, embora sem o saber. Passaram-se 3 anos desde esse dia. 3 anos de altos e baixos, em que deixámos de falar durante meses e, do nada, recomeçámos como se, esse mesmo nada, nunca tivesse existido. 
Fui traída, ela mentiu-me, usou-me. Fui o seu brinquedo de estimação e estava lá sempre que ela precisava, sempre. Voltei à prateleira quando ela se cansou da minha presença, do meu carinho, apoio, compreensão e tudo o mais que lhe dava...
No dia em que ela acabou comigo e eu pensei ser para sempre, morri. O meu coração e a minha alma morreram. Restou o meu corpo. Algo, contudo, desprovido de vida, de sentimentos, de sentido de humor, de um sorriso, de cor, de tudo. Ficou o vazio, outrora preenchido total e completamente por ela, pelo pouco dela. Ficou um vazio tão grande que tudo não passava de um buraco negro dentro de mim. Não suportava a felicidade dos outros, ou a alegria ou o barulho de uma gargalhada. Tudo tinha que de ser escuro e silencioso, morto, como eu.
Mas ela voltou... passado vários meses mas voltou. E eu, que pensei que a tinha conseguido, em parte, ultrapassar, apercebi-me que isso não passava de uma mentira. Apercebi-me que a amava do mesmo jeito, pelas mesmas razões e via nela o que sempre vi... o seu sorriso, o olhar, a personalidade, o corpo que me matava de desejo...
   Desejo. Aparentemente era a única coisa que nos unia, sei-o agora. Passados esses mesmos 3 anos. Tenho na cama a mulher que amo e quando a fui buscar ela tinha a aliança da ex-namorada, aquela que, supostamente, não valia nada. Ela diz que é por causa da irmã e eu, simplesmente não acredito... Não acredito em nada. Afinal de contas eu sempre fui a única que sempre estive lá, sempre... e a única que nunca foi ninguém para ela, nada, nunca. Como posso acreditar? Ela tirou-a, guardou-a. Mas, e depois? Ela continua com ela... talvez no bolso das calças, mas continua. Durante 3 anos fomos uma chama que se incendeia a si própria. Não era preciso nada, nem um fósforo ou um rastilho, bastava o nosso olhar... Hoje, passados 3 anos, deitámo-nos na mesma cama e não fomos capaz de nos beijar, sequer. Nada... uma carícia no cabelo e mais nada...
Aparentemente perdi a única coisa que nos ligava, o sexo... E não sei o que vai ser de mim outra vez... Olho para a cicatriz que tenho no braço. Fi-la quando ela me matou. E agora? Agora que farei eu? Não quero perder o futuro que tanto me custou a construir mas quem sou eu sem ela? Sem o pouco dela?! Sem as conversas e as discussões, os risos, as parvoíces, as brincadeiras, a companhia e o apoio. Quem sou eu? Vou voltar a ser aquele buraco negro? Aquele ser sem vida, sem coração, sem nada? Sim, na melhor das hipóteses volto a ser aquele nada... Até que alguém volte a pegar em mim e me reconstrua, do pouco que ficou. Pegue nos pedaços, nos estilhaços e no sangue derramado e o volte a colocar dentro do meu corpo morto... Mas e desta vez? Se a única coisa que me ligava a ela se extinguiu, como vai ser o depois?
Foi a pessoa que jurei para sempre. Jurei amá-la para sempre no dia em que, pela primeira vez desde a minha existência, disse que a amava... Gravei-o. E não sei ser nada sem ela ou sem esse sentimento..
Ela adormeceu ou fingiu adormecer... Dorme ou finge dormir enquanto eu me consumo nestas chamas degradantes do meu próprio ser à espera da resposta que pode mudar-me para sempre...
O que farei eu ao obtê-la?
3 anos... que aparentemente para ela não significaram nada... 
Ela dorme... pensei que daria pela minha falta na cama e me viesse procurar à cozinha, banhada em lágrimas como se o meu mundo já se tivesse desmoronado... Talvez dentro de mim mesma eu saiba que ele já ruiu  e que restam apenas estilhaços do que fui, do que era e do que nunca mais voltarei a ser.

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