Talvez se observasses mais as pessoas que te rodeiam em vez daquelas que por ti passam, não precisarias de me perguntar o que tenho.
Talvez eu só precise que voltes a ser quem eras, aquela pessoa que reparava em mim, que notava logo a diferença na minha "depressão", que fazia de tudo para me voltar a pôr bem, que me ouvia... Sinto que te estou a perder, não porque me afasto, mas porque tu, involuntariamente ou não, te afastas de mim. Um afastamento subtil, um pequeno passo de cada vez e que nos levou a isto. Não consigo compreender essa tua capacidade de pôr de parte as pessoas que, supostamente, são importantes na tua vida.
Prezo a nossa amizade acima de qualquer outra coisa e, talvez por isso, esta situação me custe tanto. Já paraste para pensar na razão que me leva a andar assim? Fazes ideia do que é ver-te a contar aquilo que se passa na tua vida a outros amigos nossos e, a mim, nem uma palavra, uma passagem que seja, me contas. Porquê essa súbita falta de confiança? Serão eles melhores amigos do que eu? Percebem exactamente aquilo que vives e sentes a cada momento que a tua vida passa e uma novidade surge? Se assim for... então lamento o facto de já não ser suficiente boa amiga.
Magoa. Magoa muito saber que confias em todos os outros e não em mim, que simplesmente passei a ser indiferente para ti, que unicamente estou contigo por rotina e não porque, de facto, me queres à tua beira. Não tenho a vida agitada e fantástica que tu e os outros teus amigos têm mas talvez, só talvez, eu, de tempos a tempos, precise da tua atenção, só um pouco para que me ouças... Podes até fingir que ouves e responder-me um "pois" porque não me estás a ouvir mas ao menos finge, ilude-me, finge que ainda te preocupas comigo... Faz de conta que ainda sou importante para ti, faz de conta que ainda me queres na tua vida, faz apenas de conta.
Mas, no entanto, tenho uma teoria. Este teu afastamento deve-se ao facto de eu não concordar com algumas das coisas que andas a fazer? Tu, mais do que ninguém, sabe que amizade não é concordância total, é discordar quando achamos que o outro está errado e dizer-lho. Talvez nós estejamos certos. Achas que, por os outros acharem muita piada às coisas que têm acontecido recentemente na tua vida, fazem deles melhores amigos do que eu? Achas que é essa a definição de amizade?
Por muito opaco que sejas, porque o és e sabes disso, existem pequeníssimas coisas, como uma expressão ou olhar, que, a mim, me mostram muita coisa... Pergunto-me, se eles reparam sequer nessas ínfimas coisas. Duvido... conhecem-te à poucos meses e acredita que és extremamente difícil de conhecer devido a essa tua personalidade. Frio, insensível, astuto, calculista, cínico, falso, presunçoso e convencido, um verdadeiro jogador, ou melhor, um verdadeiro vencedor. Já paraste para pensar na tua vida? Naquilo que tens e conquistas a cada segundo que passa? Muitas pessoas dariam qualquer coisa para ter um terço daquilo que tens e, a única coisa que eu quero, é a tua amizade. Aquela que em tempos nos fazia rir como perdidos, aquela que nos dava tema de conversa durante horas a fio, aquela que me fazia feliz... Não é impressão minha, mas nós já não temos isso... Tu não partilhas as tuas coisas e quem sou eu para te maçar com os meus insignificantes problemas? Ninguém.
Podes atirar-me à cara que são ciumes, não são, garanto-te. A única coisa que quero para ti é que sejas feliz, sendo que tal nunca se pôs em questão. Quero apenas perceber isto, perceber como chegámos a este estado, a esta distância... Diz-me, porque eu não aguento isto. És demasiado importante para mim para eu conseguir ser forte ao ponto de mostrar que esta desavença não me afecta. Simplesmente não consigo.
Quero de volta o meu melhor amigo. É possível?
DC

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